Junta de Freguesia de Minde

O "Mar" de Minde


O POLJE DE MIRA / MINDE

O Mar de Minde


Em pleno PNSAC (Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros)

Classificado com um local Natura 2000, este é um local com a classificação Ramsar (A Convenção de Ramsar tem o objectivo de eliminar, atual e futuramente, a progressiva invasão e perda de zonas húmidas, reconhecendo as aves aquáticas como um recurso internacional).


É constituído por uma vasta lagoa que se cria no polje de Minde, na Serra de Aire, sempre que as condições de pluviosidade excedem os valores considerados normais e os terrenos atingem um nível de saturação que não lhes permite absorver mais água.


Existe um vasto sistema hidrológico subterrâneo baseado no polje, situado na região calcária mais importante do país e que remonta ao período cársico,


Os episódios de inundação que apresentam elevadas flutuações são um exemplo raro na região biogeográfica do mediterrâneo oeste. A nascente do Alviela é uma das mais profundas do mundo e está ligada a um complexo de grutas que representam o mais significativo fenómeno fluvio-cársico em Portugal. O Polje é um local de características únicas cuja visita se recomenda sem reservas.




Caracterização do Polje

Ocorrem em zonas de geologia calcária, em que a erosão ao longo das eras geológicas fez já “estragos” consideráveis. Sendo uma rocha bastante solúvel, o calcário cria redes de galerias subterrâneas, entre grutas e algares. A circulação de águas subterrâneas faz-se no seu essencial por redes de galerias com secções que vão dos pouco centímetros às várias dezenas de metros e não por lençóis e estratos mais ou menos porosos. Na verdade, não existem rios de superfície nestas áreas, eles tomam a forma subterrânea e só aparecem à superfície, já na periferia dos maciços calcários.



Uma região peculiar

Como exemplo, de grande magnitude a nível nacional, temos as conhecidas grutas de Mira d’Aire e as não tão conhecidas, embora com a mesma ordem de grandeza, do Almonda.

No caso concreto, o polje de Mira-Minde é drenado na periferia do maciço pelas nascentes dos rios Lena, Alviela e Almonda só para citar as mais conhecidas.


Quando o entrada de água no sistema é superior ao caudal permitido pelas nascentes, a água eleva-se dentro da rede e inunda esta depressão que é o polje, através de 2 ou 3 algares existentes na sua base, formando este mar temporário. Com a diminuição da precipitação, este “mar” esvazia pelos mesmos locais por onde inundou.


Como é necessária a ocorrência de grandes quantidades de precipitação este fenómeno não é regular, previsível ou cíclico.


A Mata de Minde

Nos tempos em que Minde era mais ambiente natural do que social e urbano era certo e sabido que qualquer informação pedida a seu respeito teria forçosamente que dar um grande espaço a este invulgar acidente geográfico, entre nós designado por Mata e a que hoje se dá o nome cientifico de polje.


Este espaço ocupa, por isso, lugar marcado em todos os dicionários geográficos, enciclopédias e publicações dos ramos da geografia ou do turismo, de âmbito nacional, desde O Couseiro até a à Descoberta de Portugal, das Seleções do Reader’s Digest.


Quanto mais remotas no tempo, mais longas e pormenorizadas são as descrições que dela se fazem.


Hoje Minde, por motivo das valências que foi adquirindo, sobretudo ao longo da segunda metade do século passado, pouca atenção dispensa à sua Mata que, do modo como tudo se vai conjugando, parece estar destinada a regressar à primitiva forma, donde lhe veio o nome, depois de, durante séculos, ter sido forçada a desempenhar uma função para a qual a natureza não lhe tinha dado vocação especial – a de ser terra de vinhedos e de pomares.




Grandes cheias

Quantas destas hão-de ter trazido os Invernos ao longo dos milénios até chegarem ao ponto de as ondas terem formado a enorme barreira de pincha (cascalho rolado, em forma de amêndoas) com mais do que um quilómetro de extensão, na sua margem sul?


Há anos em que as inundações não passam de azielas (pequenos alagamentos, na linguagem local). Tem havido anos, porém, em que as cheias atingiram níveis impressionantes (sete a dez metros em relação aos locais mais fundos) e a duração de quatro, cinco ou mesmo seis meses.


Merecem especial menção as cheias de 1855 e 1936 por delas haver notícias e memória e, mais recentemente as de 1996 e 2001 ainda bem na lembrança de todos, o que não quer dizer que desde a que foi primeiramente citada não houvesse outras superiores a esta última.




Anos há em que as águas se prolongam até aos princípios de verão, em cheias mais demoradas é normal aparecerem algumas espécies de peixes, nomeadamente enguias, e mais recentemente uma espécie de lagostim de água doce, o lagostim vermelho.


Falando ainda da Mata como campo de cultivo não se lhe podem negar aptidões produtivas, se as culturas forem devidamente estrumadas e assistidas, como dantes teriam sido quando havia animais auxiliares da agricultura e grande oferta de trabalho braçal.


Daí a sua ocupação em larga escala por várias culturas, principalmente por vinhas, pelo fato de as cepas suportarem melhor a submersão durante longos períodos. Todavia as cheias em vez de enriquecerem o solo com materiais de aluvião, empobrecem-no por terem um efeito de lavagem pelas águas limpas das nascentes e, se forem muito prolongadas, afetarem a normalidade do ciclo vegetativo por forçarem as cepas a um rebentamento extemporâneo.


Não admira pois que as vinhas da Mata fossem sendo progressivamente abandonadas até ao seu quase total desaparecimento, sobretudo na área de Minde, onde a demora das águas é mais prolongada.



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