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História

ALFREDO ROQUE GAMEIRO


QUEM FOI ROQUE GAMEIRO?

(Minde, 1864 –  Lisboa, 1935)

O lema que figura na placa existente na entrada do Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro, em Minde “HONRA TEUS AVÓS” era a divisa de Alfredo Roque Gameiro.

Nascido em Minde, pequena vila arrumada em anfiteatro numa encosta da Serra d’Aire, que tanto tem de sombria como de soalheira, numa época de escassez e de frugalidade, numa família de pequenos comerciantes, Alfredo Roque Gameiro haveria de vir a tornar-se uma importantíssima figura no painel das artes mundiais dos finais do século XIX e princípios do século XX. Pintor aguarelista de rara qualidade técnica, de tom intimista e fluido, de extrema sensibilidade e delicadeza, pintou como ninguém até aí tinha pintado a paisagem, as pessoas, os usos e costumes do Portugal da época, e os do Portugal passado, que tão bem estudou e conhecia. Tornou-se, com o passar dos anos, uma figura mítica, pela sua fascinante personalidade, pela sua nobreza de carácter, pelo virtuosismo plástico dos seus trabalhos artísticos, pelo seu trabalho de investigador atento, pela sua rectidão. A harmonia e a transparência que emanam e estão patentes nas suas obras são o reflexo da vida que levava enquanto homem, artista, marido, e pai de família.

A frase “Honra teus avós” serve então de ponto de partida para a pequena viagem de apresentação que vos propomos: sem outro mapa que não as linhas da nossa vontade apontada ao futuro, e as rotas da nossa memória. Vinde, pois, até Minde!

É o artista de referência no panorama da aguarela portuguesa.




Roque Gameiro deu à aguarela “pergaminhos de nobreza” conferindo-lhe um lugar de destaque.

Muitos dos caminhos inovadores que a aguarela vai seguir depois dele, foram por ele desbravados.

Oriundo de meio rural, foi em Lisboa e também além fronteiras que teve a oportunidade de trabalhar, estudar e contactar com o meio artístico do seu tempo.

A propensão inata para o desenho, para o pormenor, para a disciplina de trabalho, que foi afinando ao longo da vida, aos quais se juntou o privilégio pela expressão, pela transparência lumínica, pelo trabalho prático, assente num contacto directo e constante com o real, conduziram RG, inevitavelmente, à prática da aguarela – o que ele pretendia só poderia ser executado em aguarela.

Roque Gameiro extasiou-se perante o rigor da observação e a força poética com que descreve, nas suas aguarelas, o observado.

São as suas “narrativas” de viagens, que empreendeu um pouco por todo o país, que têm como pano de fundo, ambientes diferentes, que nos levam à descoberta da natureza familiar, da beleza das paisagens, da harmonia profunda que se pode desenvolver na contemplação dos nossos horizontes de todos os dias.

Tornou-se o caminhante insaciável que correu o país de lés-a-lés, descobrindo nele as terras, as gentes, os usos e os costumes.

O Portugal que nos quis deixar nos seus desenhos e nas suas aguarelas, aquele “Portugal de algum dia” que tanto o motivou, mas que infelizmente não teve tempo de terminar.




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